Sobre Rei ou semideus - Por Crisélia Sanromán Barral Chaves


De forma sensível e criativa Yesmin dá continuidade à tragédia de Édipo Rei de Sófocles. Neste livro o leitor é transformando no expectador das angustias dos personagens que, ao longo do texto, revelam as emoções humanas mais temíveis: narcisismo, incesto, parricídio, impotência, desamparo, arrependimento, culpa, ódio, amor, arrogância, curiosidade e aquela para a qual não existe denominação: o assassinato do próprio filho. 
Em Rei ou Semideus?,  Yesmin convida-nos à reflexão analítica sobre as condições emocionais dos personagens e os esforços realizados por cada um na tentativa de se proteger dos seus sofrimentos. A partir de Jogasta, Laio e Édipo, Yesmin revela as ansiedades e os conflitos maternos, paternos e filiais existentes em cada um de nós.
Outro ponto explorado por Yesmin, são os constantes desafios enfrentados pelo terapeuta, personalizados por Teseu e Apolo. De um lado Teseu, o herói que seguindo o fio dado por Ariadne consegue sair do labirinto do Minotauro e, nesta obra, acompanha Édipo em sua jornada a Colono. Do outro lado, Apolo, Deus da medicina, da poesia e da musica, aquele que trás a luz e conduz Édipo ao seu lugar no Olimpo. Através destes heróis, Yesmin nos faz pensar nos constantes desafios e escolhas enfrentadas pelo terapeuta diante das angustias expostas pelo paciente. Ora, congelar de espanto e seguir desesperadamente o fio da técnica psicanalítica na tentativa de sair do labirinto emocional do paciente, deixando-o a própria sorte como Teseu fez com Ariadne e Édipo. Ora, renunciar á critica moral disponibilizando-se a segui-lo despretensiosamente, utilizando a criatividade para ajudar-lo a explorar seu mundo subterrâneo, aceitando o desenrolar dos acontecimentos como Apolo fez com Édipo e Dafne.
Falar da obra de Yesmin causa embaraço dada à profundidade e condensação dos temas que a autora aborda que podem ser interpretados de infinitas maneiras. O embaraço, ao qual me refiro, pode ser comparado com o aquele que experimentamos quando ao selecionar este ou aquele assunto trazido pelo paciente eliminamos outras possibilidades e, portanto, empobrecemos o seu auto-conhecimento. Rei ou Semideus? Retrata um mar de temas humanos que pode nos conduzir à infinitos destinos onde o limite é a capacidade imaginativa e a sensibilidade do leitor. Diante disso, convido-o a embarcar nesta leitura sem mapas e sem bússola. Deixe sua imaginação conduzir essa viagem.

Crisélia Sanromán Barral Chaves
Psicanalista 

Inscrições para os seminários sobre a escuta psicanalítica do Mahabharata.

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