A arte revela, sintetiza, reformula as emoções, as percepções, e cria. Arte pressupõe técnica (Ars, no latim: técnica, habilidade) e o artista em seu ofício, como não poderia deixar de ser, precisa de técnica, de instrumentação.
A habilidade manual e intelectual de expressão e de manejo técnico é o que confere ao artista o referido status. Por exemplo: Einstein não comprovava fisicamente suas descobertas. Seus experimentos eram imagens mentais que compunham o ato natural a ser estudado. Imaginava as situações e as formulava matematicamente para que pudessem ser comunicadas e comprovadas. Verdadeira arte na ciência da física.
Assim como Einstein tinha a matemática para comunicar seus experimentos mentais, nós analistas dispomos do verbo para fazê-lo.
Não se pode falar em arte na psicanálise sem o burilar (instrumento) teórico, metodológico e técnico do nosso ofício. Quanto maior o envolvimento técnico do analista, maior a probabilidade de ocorrências do estado da arte no seu trabalho. É nesse estado da arte que a técnica, mesmo que intrínseca ao conceito arte, é transpassada pela subjetividade e pela multidimensionalidade da vida psíquica. Transcendência para um momento emocional que não insinua, mas que diz, ou cala alto. Manifesta não em forma plástica, mas em “paisagens emocionais”, como propôs Márcio Carvalho*.
A manifestação artística de qualquer natureza, para ser considerada como tal, é composta de habilidade, esmero e harmonia, por isso a natureza da arte - e consequentemente o estado da arte - é o amor pela vida.
Yesmin Sarkis.
* Do prefácio no livro Por detrás da tela. Escuta,2008.
Publicado no Boletim Informativo da SPB.